Silenciosa e excludente, a Doença de Chagas exige atenção.
O dia 14 de abril marca a luta mundial pela sua conscientização, reforçando a necessidade de investimento em prevenção.
- No Brasil, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.


Conhecida também como tripanossomíase americana, a Doença de Chagas, embora seja mais comum na América Latina, deixou de ser regional e hoje representa um desafio global.
Muitos casos são diagnosticados tardiamente, e sua predominância ocorre em áreas rurais e de moradias precárias, como casas de pau-a-pique, facilitadoras da infestação pelo inseto barbeiro, principal transmissor da doença.
A enfermidade é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e pode ser transmitida de várias maneiras:
>>pelo contato com fezes do barbeiro após a picada do inseto, pela ingestão de alimentos contaminados, da mãe para o bebê na gestação ou parto, além de transfusão de sangue, transplante de órgãos e acidentes com material contaminado.
Desde os anos 90, estão em andamento estudos para uma vacina contra a Doença de Chagas.
Uma das pesquisadoras envolvidas, Alexandra Carvalho, do Instituto de Biomedicina da Universidade de Brasília, fala dos progressos em relação ao desenvolvimento do imunizante.
|“Já realizamos testes tanto in vitro quanto in vivo na fase pré-clínica de avaliação. Ainda não avançamos para a fase clínica, onde a vacina é testada em humanos”.
Alexandra Carvalho revela o maior desafio encontrado na pesquisa.
|“Agora estamos buscando o aprimoramento dessa vacina. O nosso objetivo primordial é que a vacina seja profilática, efetivamente capaz de prevenir a infecção. No momento ainda não conseguimos uma prevenção efetiva, somente a redução da carga parasitária”.
A fase inicial da Doença de Chagas pode ter sintomas como febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza intensa e inchaço no rosto ou nas pernas.
- Já na fase crônica, muitos pacientes não apresentam sinais, mas alguns desenvolvem problemas cardíacos ou alterações digestivas, como megacólon e megaesôfago.
A pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, Tânia Araújo Jorge, explica que já existem diretrizes pré-definidas para tratar a doença…
|“Existe o PCDT, que é o Protocolo Clínico Terapêutico pra doença de Chagas, que o Ministério da Saúde desenvolveu em 2018. Esse PCDT é o que orienta o tratamento em todo o Brasil; todo o Sistema Único de Saúde e também o sistema privado devem seguir as orientações, que são para todas as fases, desde a aguda até a crônica”.
Tânia Araújo chama atenção para a complexidade do tratamento da Doença de Chagas…
|“Abordagem integral e integrada. Não adianta só tratar com uma droga ou remedinho qualquer. O importante é ter o apoio e acompanhamento físico, nutricional, psicológico, cardiológico, clínico… tudo isso é importante”.
A prevenção é essencial para o controle da doença. Cuidados simples, como o uso de telas, mosquiteiros e repelentes já fazem a diferença.
Mas ainda é necessária atenção rigorosa à higiene de utensílios e alimentos.
Os preferidos do inseto barbeiro são:
>açaí ou juçara artesanal, caldo de cana, polpas de frutas como bacaba e buriti, além de água não tratada.
A Doença de Chagas afeta 12 milhões de pessoas no mundo, três milhões delas no Brasil.
Tatiana Alves/Rádio Nacional-Rio de Janeiro



