Em uma reunião que formalizou o repasse de R$ 25 milhões para a Santa Casa, em abril, o governador Eduardo Riedel (PP) cobrou uma mudança estrutural e no modelo de gestão da unidade de saúde — que enfrenta uma greve por parte da enfermagem e outros setores, deflagrada nesta segunda-feira (22).
Os R$ 25 milhões eram recursos da bancada federal para atender a Santa Casa. “É necessário que haja uma mudança no modelo de gestão, uma mudança estrutural”, disse Riedel na ocasião. O recurso foi repassado em três parcelas de R$ 8,3 milhões, entre abril e junho.
Para que a unidade de saúde receber o valor, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) precisou fazer um remanejamento de outros projetos.
- A área da saúde em Campo Grande, recebe recursos estaduais de mais de R$ 1 bilhão por ano.
Conforme a pasta, o novo modelo de gestão, com alterações estruturais da unidade para que situações emergenciais deixassem de ocorrer a cada dois meses, é uma solicitação do Governo do Estado.
Greve na Santa Casa
Enfermeiros da Santa Casa de Campo Grande protestaram pelas ruas do Centro após votar por unanimidade a paralisação da categoria, na manhã desta segunda-feira.
- Com isso, cerca de 70% da equipe será reduzida e apenas 30% estarão atuando nos setores.
O hospital enfrenta um colapso financeiro, que reflete no pagamento do 13° salário de todos os funcionários, desde médicos até o setor administrativo.
Lázaro Santana, presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), informou que a categoria recusou a proposta inicial de parcelamento do 13° em três vezes. A proposta previa o pagamento entre janeiro e março de 2026.
Crise financeira
Na última sexta-feira (19), a Santa Casa informou que, em anos anteriores, o Governo do Estado aportava a 13ª parcela da contratualização a todos os hospitais filantrópicos de MS. Contudo, neste ano, informou que não haverá o repasse.
“O secretário de Saúde, Dr. Mauricio Simões, informou à Fehbesul [Federação das Filantrópicas] que fará o repasse em três parcelas, nos meses de janeiro, fevereiro e março. A Santa Casa transmitiu a informação aos sindicatos e seguirá buscando outros meios para solucionar a questão, mas, até o momento, sem previsão.”
“Há anos o Governo do Estado vinha repassando a competência do contrato dele, e nós sempre usamos para pagar o 13⁰ salário. Este ano, o Governo do Estado disse que não vai passar. A Santa Casa reconhece a legitimidade do movimento, mas os recursos são finitos e o nosso problema está na falta do equilíbrio econômico-financeiro do contrato”, disse Alir Terra, presidente da Santa Casa.
Fábio Oruê/Midiamax News



