>>> O presidente da Nelore MS, Paulo Mattos, havia adiantado que o mercado americano sofreria os impactos do ‘tarifaço’ de Donald Trump aos produtos brasileiros — entre eles, a carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul.
“Estados Unidos têm rebanho muito reduzido, comparado com o brasileiro, mas eles têm consumo per capita de carne de 110 kg. No Brasil, o consumo per capita é de 32 kg. E a população dos EUA é maior que do Brasil, então não impactaria e só iria prejudicar o consumidor americano”, diz ao Jornal Midiamax.
Segundo ele, os produtores de carne de MS estão empolgados com a retomada desse mercado americano.
“É um efeito positivo, isso sinaliza que, com a retirada da tarifa, os EUA tem intenção de voltar a comprar em volume significativo. Batemos recorde de exportação em vários meses e essa retomada é muito positiva”, afirma.
Além disso, o mercado interno não deve sentir impacto com a abertura dessa janela novamente.
“Vamos ter um momento que pode melhorar o preço da arroba para os produtores, mas acredito que não deve faltar para o mercado interno. Hoje, 70% de 11 milhões de toneladas que nos produzimos por ano ficam no mercado interno, exportamos cerca de 30% da produção, então, por lógica, a gente tem, sim, rebanho para fazer frente a esse aumento”, explica à reportagem.
Entretanto, Paulo admite um momento crítico de produção por conta da entressafra. “Eu acredito que estamos num momento crítico, porque estamos na entressafra, e há uma redução do rebanho, em função de que o preço praticado nos últimos três anos era abaixo da realidade, então houve muito abate de fêmeas”, diz.
“Mas vamos ter um mercado muito grande entrando agora”, espera Mattos.
Retirada das tarifas
A retirada das sobretaxas anunciada pelo presidente Donald Trump por meio de ordem executiva beneficia itens relevantes para as exportações do país, como carne bovina e café.
Segundo o governo americano, o avanço das negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou desnecessária a manutenção da cobrança.
A suspensão tem efeito retroativo desde 13 de novembro.
Fábio Oruê, Murilo Medeiros/Midiamax News



