Clima
--°C
Maracaju, MS

Bioinsumo amplia recuperação de áreas degradadas e pode fortalecer restauração

Tecnologia da Embrapa reúne microrganismos capazes de atender mais de 30 espécies florestais

A inovação amplia o alcance da técnica de recuperação de solos com o uso de microrganismos. Foto: Sérgio Miana de Faria.

0:00

>>> Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia desenvolveram um inoculante biológico de amplo espectro capaz de atender pelo menos 31 espécies florestais leguminosas, abrindo caminho para projetos de restauração mais eficientes e de menor custo.

A tecnologia tem potencial direto para fortalecer ações de recomposição ambiental em Mato Grosso do Sul, onde a recuperação de áreas degradadas é prioridade em regiões pressionadas pela agropecuária e pela exploração do solo.

O produto, ainda em fase final de desenvolvimento, supera um desafio histórico da restauração ecológica: a alta especificidade entre plantas e bactérias.

Das mais de 800 estirpes de rizóbio estudadas, duas foram selecionadas pela eficiência em formar simbiose com dezenas de espécies nativas e de valor econômico.

“Com o uso dessas estirpes, eliminamos uma barreira importante para aplicação em larga escala”, explica o pesquisador Sérgio Faria, da Embrapa Agrobiologia.

Segundo ele, o inoculante reduz custos, facilita a logística de viveiros e permite que restauradores utilizem um único produto para diferentes espécies.

Três décadas de pesquisa até chegar ao inoculante multiespécies

A técnica de recuperação com microrganismos começou a ser desenvolvida há mais de 30 anos. À época, o desafio era reativar solos totalmente degradados, restabelecendo fertilidade e criando condições para o retorno da vegetação.

O trabalho se expandiu ao longo das décadas, e hoje a Embrapa reúne uma base de dados com centenas de espécies de leguminosas adaptáveis a diferentes tipos de solo e clima, incluindo os cenários encontrados em Mato Grosso do Sul.

“O conhecimento acumulado permite orientar projetos de restauração para praticamente todas as condições do País”, afirma o pesquisador Alexander Resende.

Resultados consistentes em áreas degradadas

A técnica apresenta resultados visíveis em cerca de um ano, com cobertura vegetal e estabilização do solo.

Leia Também  Colheita da soja avança de forma lenta em Mato Grosso do Sul

Em quatro a cinco anos, as áreas atingem aspecto de vegetação jovem, com árvores e arbustos formando um novo equilíbrio ecológico.

Em longo prazo, a recuperação favorece o retorno da fauna e o surgimento natural de novas espécies vegetais.

Esses resultados reforçam o potencial do inoculante para projetos de recomposição em MS, que enfrenta desafios específicos ligados à erosão, compactação do solo e restauração de áreas de preservação permanente.

Sustentabilidade e menos dependência de adubo químico

O inoculante reduz a necessidade de adubação nitrogenada mineral em viveiros e áreas em restauração, evitando perdas de nitrogênio para o solo e para a atmosfera — um problema comum em fertilizantes convencionais.

A redução de custos e o impacto ambiental positivo colocam a tecnologia como alternativa alinhada às metas nacionais de recuperação de vegetação nativa e compromisso climático.

A inovação está disponível para parceiros interessados em levar o produto ao mercado e ampliar o uso em projetos de restauração.

José Cruz/Campo Grande News

Receba as últimas notícias mais relevantes do nosso portal direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

BANNER-300-X-300

Leia mais

MJU News
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade