O modelo de negócios das principais plataformas digitais, baseado na retenção de atenção por meio de algoritmos, tem ampliado o debate sobre possíveis impactos na saúde mental dos usuários.
As ferramentas são desenvolvidas para analisar o comportamento individual e entregar conteúdos personalizados, com o objetivo de aumentar o tempo de permanência nas aplicações.
- Empresas como Meta Platforms e Google utilizam esse modelo como base de suas plataformas, priorizando conteúdos com maior potencial de engajamento.
Na prática, isso faz com que o usuário seja exposto com mais frequência a conteúdos semelhantes aos que já consome, criando um ciclo contínuo de permanência nas plataformas.
De acordo com o influenciador, cineasta e empresário Gabriel de Sousa das Dores, esse funcionamento pode favorecer a exposição contínua a conteúdos que estimulam engajamento, mas que nem sempre estão alinhados ao bem-estar.
Entre os efeitos apontados estão a comparação frequente com padrões considerados irreais, além do aumento de ansiedade e da possibilidade de uso excessivo.
- O especialista também observa que o consumo prolongado pode afetar hábitos cotidianos, como sono, alimentação e produtividade, já que o fluxo contínuo de informações tende a dificultar a concentração e a organização da rotina.
Outro ponto observado é a redução de interações fora do ambiente digital.
O tema também tem ganhado relevância no campo jurídico. Processos envolvendo empresas de tecnologia podem abrir discussões sobre a responsabilidade das plataformas na proteção ao bem-estar digital, incluindo possíveis medidas relacionadas à transparência no funcionamento dos algoritmos e à criação de ferramentas de controle de uso.
Roberta Nuñez/Ig



