Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Maranhão apontou que, além do tabagismo, a obesidade e a inflamação sistêmica podem ser fatores de risco à saúde pulmonar.
O estudo foi publicado na revista britânica BMC Pulmonary Medicine.

- Ao longo de 12 anos, foram analisadas 900 pessoas, todas com menos de 40 anos de idade.
Os resultados demonstraram que, no caso da inflamação sistêmica — medida pelo nível de proteína C-reativa no sangue —, cada aumento de 1 mg/dL do marcador inflamatório correspondeu a um declínio de 0,76% da função pulmonar.
Já para a obesidade, cada aumento de 1 kg/m² no índice de massa corporal ocasionou uma redução adicional de 0,28% na função pulmonar.
- Por outro lado, o tabagismo segue como o principal perigo, contribuindo para a perda média de 1,95% da capacidade respiratória durante o período analisado.
Uma das autoras do estudo, a médica pneumologista Ana Carolina Cunha, conta que a relação entre a obesidade e a saúde dos pulmões, principalmente de jovens e adultos, havia sido pouco explorada:
|“Sabe-se que o tecido adiposo branco leva a um processo inflamatório sistêmico de baixa intensidade. Esse processo inflamatório já havia sido relacionado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, mas muito pouco se sabia sobre a sua relação com a função pulmonar. Neste estudo, demonstrou-se que o ganho de peso está relacionado a uma maior perda de função pulmonar, aumentando assim o risco de desenvolvimento de DPOC”.
A DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ocorre quando as vias que levam o ar até o pulmão ficam obstruídas e inflamadas, destruindo parte do tecido pulmonar.
- Segundo o estudo, não é comum que a DPOC seja associada ao ganho de peso, pois os pacientes, em geral, apresentam perda de apetite e alto gasto calórico.
Isso faz com que a atenção sobre a doença seja redobrada.
*Com supervisão de Nádia Faggiani.
João Barbosa (Estagiário)-Rádio Nacional/Rio de Janeiro



