Estudante de medicina foi presa com medicamentos emagrecedores trazidos do Paraguai.
A prisão em flagrante ocorreu no sábado (3), durante fiscalização da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na BR-267, em Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande.
- Conforme o boletim de ocorrência, a abordagem ocorreu por volta das 18h, durante fiscalização de rotina.
O veículo vistoriado era um Renault Master, pertencente a uma empresa de transporte de passageiros que fazia o itinerário Ponta Porã–Campo Grande.
Durante a entrevista, a passageira demonstrou nervosismo. Após apresentar o ticket de bagagem, os policiais localizaram a mala vinculada à estudante.
Na vistoria, foram encontrados 134 medicamentos emagrecedores, rotulados como tirzepatida 15 mg, com diferentes nomes comerciais, entre eles Lipoless, Tizerc, T.G e Tirzec, além de duas ampolas de GHK-CU, composto utilizado para tratamento estético. Também foi apreendido o celular da estudante.
- Segundo a equipe policial, os produtos se enquadram, em tese, como medicamentos de comercialização proibida no Brasil, conforme resoluções da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Diante disso, a ocorrência foi caracterizada como crime de contrabando.
A estudante foi conduzida, juntamente com os medicamentos, à Polícia Federal em Dourados. O veículo de transporte não apresentava irregularidades e foi liberado após os procedimentos.
No local da abordagem, a jovem declarou que receberia R$ 100 por caixa transportada e que a mercadoria seria entregue a um homem identificado como Kauan, em um atacadista de Campo Grande.
- Em depoimento, afirmou ser estudante de medicina em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Disse que a mãe custeia a faculdade, mas que havia atrasos no pagamento e que precisava quitar a rematrícula, cujo valor sofre reajuste anual.
Relatou que, por volta do dia 22 de dezembro, um homem paraguaio, ambulante, abordou-a no centro da cidade e ofereceu-lhe o transporte dos medicamentos até o Brasil.
Ficou combinado que a retirada ocorreria no dia 3 de janeiro, por volta das 14h, quando um homem desconhecido lhe entregou uma sacola com os medicamentos em via pública, nas proximidades do Shopping West Garden, em Pedro Juan Caballero.
- Ela afirmou que não conferiu a quantidade, colocou os produtos na mala e seguiu para Ponta Porã, de onde embarcou em uma van com destino a Campo Grande por volta das 16h30.
Ainda segundo o relato, o valor recebido permitiria pagar a matrícula e dois meses de mensalidades atrasadas do curso.
Durante a abordagem em Maracaju, disse ter ficado nervosa por causa da carga transportada. A estudante contou a versão aos policiais, mas se recusou a fornecer a senha do celular.
O MPF (Ministério Público Federal) manifestou-se pela homologação do auto de prisão em flagrante e pela concessão de liberdade provisória mediante fiança, entendendo que não havia risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
- Foram fixadas medidas cautelares, incluindo comparecimento periódico em juízo, fornecimento de telefone de contato e comunicação prévia em caso de ausência superior a dez dias da comarca.
Após passar por audiência de custódia, a estudante teve a liberdade provisória concedida mediante pagamento de fiança no valor de dois salários mínimos, totalizando R$ 3.242.
Bruna Marques/Campo Grande News



