Clima
--°C
Maracaju, MS

Com arrecadação menor, cai nota de Mato Grosso do Sul

A gestão estadual saiu do conceito máximo A+ para o B+, em razão de as despesas terem aumentado e as receitas reduzido

A administração estadual adotou corte de 25% nas despesas para reverter o aumento de gastos - Foto: Gerson Oliveira

0:00

A saúde financeira do governo de Mato Grosso do Sul piorou este ano em relação a 2024, segundo o Tesouro Nacional no levantamento da Capacidade de Pagamento (Capag).

A gestão estadual caiu do conceito máximo A+ para o B+, em razão de o endividamento ter aumentado e a disponibilidade de caixa ter reduzido em relação à Receita Corrente Líquida (RCL).

Conforme adiantou o Correio do Estado, o crescimento das despesas não tem acompanhado o ritmo das receitas na administração estadual.

O Executivo trabalha com ajustes fiscais para melhorar a saúde financeira dos cofres estaduais.

O levantamento do Tesouro Nacional aponta que o tamanho da dívida estadual em relação à RCL subiu de 45,03% para 47,11%, mas, mesmo assim, a classificação ficou na categoria A. 

Situação similar ocorreu com indicador 2 da Capag, que é a poupança corrente (refere-se à relação entre despesas e receitas correntes).

O porcentual subiu de 87,99% para 89,6%, entretanto a classificação foi mantida em B. 

Porém, na classificação referente à liquidez, o governo do Estado foi rebaixado de A para B, com o porcentual subindo de 4,10% em 2024 para 7,91%.

Este critério indica o nível de obrigações financeiras em relação à disponibilidade de caixa. 
Assim, após levar em consideração o grau de solvência, a relação entre receitas e despesas correntes e a situação de caixa, o Tesouro Nacional reformulou a nota do governo estadual, com a nota obtida nos três indicadores caindo de A+ para B+ este ano. 

Conforme publicado pelo Correio do Estado na semana passada, de janeiro a outubro, Mato Grosso do Sul arrecadou R$ 21,843 bilhões, o equivalente a 78,58% da previsão anual atualizada, de R$ 27,797 bilhões.

No mesmo período, as despesas liquidadas somaram R$ 22,046 bilhões, correspondentes a 74,61% da dotação de R$ 29,547 bilhões autorizada para este ano.

Leia Também  Violência contra mulher entra em currículo no ensino de MS

A diferença entre arrecadação e gasto, porém, gerou um deficit operacional de R$ 203,6 milhões, que é coberto com recursos acumulados de anos anteriores e registrado no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO).

NOTA

Este foi o caminho inverso, em comparação com 2023 para 2024, quando a nota do governo do Estado subiu de B para A+. Conforme publicado pelo Correio do Estado no ano passado, o governador Eduardo Riedel comemorou a conquista. 

“Não é apenas o melhor resultado da história do Estado, mas, sim, o fruto de uma gestão fiscal séria, profissional e moderna. Para a população, esse reconhecimento reflete em mais investimentos em saúde, educação e infraestrutura. Esse anúncio significa um ambiente totalmente seguro para investimentos privados. A solidez fiscal é o que permite a Mato Grosso do Sul ser a unidade da Federação que hoje mais investe no Brasil”, comemorou o gestor estadual.

Com a redução da capacidade financeira para obter empréstimos, o estado perdeu a prerrogativa de obter melhores condições para futuros investimentos, uma vez que caiu a capacidade de pagamento e aumentou o risco associado a novas operações financeiras. 

Embora o estado tenha sido rebaixado na Capag, ele tem um limite de R$ 482,376 milhões do Espaço Fiscal para contratar operações de crédito, mais R$ 197,569 milhões no Espaço Fiscal PPPs, que é um limite adicional para operações de crédito para o governo do Estado, por ter o Espaço Fiscal e por ter, adicionalmente, a Capag. 

Esse limite adicional corresponde à 1% da RCL e se destina exclusivamente à contratação de operações de crédito cujos recursos sejam integralmente destinados a garantir o pagamento nas parcerias público-privadas.

CRISE

Em agosto, o governador Eduardo Riedel admitiu a existência de uma crise nas finanças públicas e anunciou corte de 25% no custeio da máquina administrativa.

Leia Também  TJMS propõe mudança em lei para facilitar restituição de custas judiciais

A decisão foi justificada pela desaceleração da arrecadação e pela pressão dos gastos obrigatórios.

O principal problema citado pelo governador de Mato Grosso do Sul foi a queda da arrecadação oriunda da nacionalização do gás natural que entra no Brasil por Corumbá.

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o gás, que já representou R$ 1 bilhão em recursos, caiu para menos da metade do montante. 

“Estou publicando um decreto sobre contingenciamento, que é uma primeira medida de impacto, mas isso já está bem conversado com os secretários, cada um deles com a sua meta, com o seu objetivo, cortando algumas ações que não têm impacto direto na população, que seriam importantes, mas que não dá para fazer nesse momento”, afirmou Riedel à época.

O corte de 25% no custeio incluiu despesas como combustíveis, energia, água, viagens, locações e contratos administrativos.

Conforme adiantou o Correio do Estado em julho, a gestão estadual estima que as medidas poderão resultar em uma economia de R$ 800 milhões até o fim do ano. 

A ordem é revisar todas as ações que não tenham impacto direto na vida da população e postergar projetos que, apesar de planejados, possam ser adiados sem prejuízo imediato.

“A gente projeta algo em torno de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões em redução de custeio no orçamento anual”, revelou o titular da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), Rodrigo Perez, em entrevista ao Correio do Estado.

SAIBA

A avaliação serve para definir quais entes federativos (estados ou municípios) podem contrair empréstimos com garantias da União.

A obtenção de nota geral A ou B na Capacidade de Pagamento (Capag) é necessária para receber garantia do Tesouro Nacional em operações de crédito.

Leia Também  Sindicato dos trabalhadores de energia suspende greve marcada para esta segunda em MS

Um ente bem avaliado pelo Tesouro Nacional é considerado bom pagador e poderá acessar financiamentos com juros mais baixos, especialmente por contar com a União como seu garantidor.

Os demais entes classificados com notas C ou D são considerados de alto risco e não terão o mesmo benefício.

Súzan Benites e Clodoaldo Silvawww.correiodoestado.com.br

Receba as últimas notícias mais relevantes do nosso portal direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

BANNER-300-X-300

Leia mais

MJU News
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade