Clima
--°C
Maracaju, MS

“Taxar Pix”: veja regras e boatos da isenção do Imposto de Renda

Em entrevista ao Portal iG, o advogado Eduardo Rodrigues explicou o que muda com as novas imposições tributárias no país em 2026

Novas regras da isenção do Imposto de Renda não alteram a funcionalidade do Pix

0:00

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que entrou em vigor em 2026, tem provocado dúvidas e uma enxurrada de informações desencontradas nas redes sociais, muitas delas associando a mudança a uma suposta “taxação do Pix”.

  • Na prática, a nova regra altera apenas a forma como a renda mensal é tributada e não cria qualquer imposto sobre transferências bancárias.

Em entrevista ao Portal iG, o advogado tributarista Eduardo Rodrigues, com MBA em Gestão Financeira e Econômica de Tributos, explicou que o maior impacto da reforma está concentrado na base da pirâmide salarial. 

“Os grandes beneficiados são os contribuintes da classe média baixa. Com o novo limite de isenção, cerca de 26 milhões de pessoas deixam de pagar Imposto de Renda”, explica.

  • A isenção passou a ser total para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Já para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, há um abatimento gradual. 

“Quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 também ganha, mas de forma proporcional. O desconto no imposto é maior para quem ganha próximo de R$ 5 mil e vai diminuindo até zerar o benefício para quem ganha acima de R$ 7.350”, detalha o tributarista.

Mudança no contracheque

Para quem tem imposto retido diretamente na fonte, o efeito da nova regra é imediato. Trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS já percebem a diferença nos primeiros holerites de 2026.

Eduardo Rodrigues é advogado e sócio da área tributária no Duarte Tonetti Advogados. Arquivo Pessoal

“Se o seu salário bruto é de até R$ 5 mil, o desconto de Imposto de Renda que aparecia no seu holerite em 2025 deve sumir agora em janeiro de 2026”, afirma Eduardo Rodrigues.

Para quem ganha acima desse valor, mas ainda dentro da faixa de transição, o desconto mensal é menor do que no ano passado.

Leia Também  Nova regra no Pix começa a valer para todos os bancos nesta segunda

CLT, MEI e autônomos: impactos distintos

As mudanças também afetam diferentes perfis de trabalhadores. No regime CLT, a isenção total vale tanto para o salário mensal quanto para o 13º, desde que o valor não ultrapasse o teto de R$ 5 mil.

No caso dos microempreendedores individuais, o regime do Simples Nacional permanece o mesmo, mas a nova tabela do IRPF traz reflexos indiretos. 

  • “O MEI continua no regime do Simples Nacional, mas a nova faixa de isenção ajuda na transferência do lucro da empresa para pessoa física sem pagar IRPF, respeitando os limites da presunção”, explica o especialista.

Já os autônomos que recolhem o carnê-leão passam a seguir os novos parâmetros. 

“Quem recolhe carnê-leão passa a respeitar a nova regra. Se o rendimento líquido for inferior a 5 mil não irá pagar IRPF”, resume.

Pix taxado? Alíquotas aumentaram?

Boa parte da confusão, segundo Eduardo Rodrigues, vem de boatos disseminados nas redes sociais. Um dos mais recorrentes é a ideia de que transferências via Pix acima de R$ 5 mil passariam a ser taxadas.

“Isso é falso. Não existe nenhum novo imposto sobre transações financeiras ou transferências bancárias. A regra é sobre a renda acumulada no mês, não sobre movimentações”, esclarece.

  • Também não houve aumento da alíquota máxima do Imposto de Renda.

“A alíquota máxima para a maioria dos trabalhadores permanece 27,5%”, afirma.

Outra informação incorreta diz respeito a uma suposta multa de 150% para quem não declarar o imposto (percentual que não foi alterado).

Para evitar surpresas

Embora as mudanças estejam valendo desde janeiro de 2026, o acerto final acontece apenas na declaração do Imposto de Renda de 2027.

Por isso, o tributarista orienta cautela, especialmente para quem possui mais de uma fonte de renda.

  • “Se você tem dois empregos que pagam R$ 3.000 cada, você é isento na fonte em ambos. Porém, na soma anual, você terá recebido R$ 72 mil, ultrapassando o limite de isenção anual de R$ 60 mil”, alerta.
Leia Também  Pequenos negócios ganham mais prazo para renegociar dívidas com a União

Outro ponto de atenção envolve contribuintes de alta renda. Quem recebe mais de R$ 600 mil por ano passa a estar sujeito a uma tributação mínima de até 10%, incluindo lucros e dividendos que antes não eram tributados.

“As deduções com saúde e educação continuam valendo e serão fundamentais para quem ficou na ‘faixa de transição’ reduzir o imposto devido no ajuste anual”, conclui o advogado, reforçando que as deduções legais seguem valendo.

José Coutinho/Ig

Receba as últimas notícias mais relevantes do nosso portal direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

BANNER-300-X-300

Leia mais

MJU News
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade