Conforme especialistas, MS possui potencial para ampliar as exportações com o acordo, e determinados produtos devem ser mais beneficiados, como os do setor agroindustrial.
Além disso, o tratado prevê cotas de exportação com redução de impostos para diversos produtos, entre eles, a carne bovina.
- Com isso, as tarifas devem ser diminuídas gradualmente, com prazos que podem variar de quatro a dez anos.
“O Mato Grosso do Sul, ele vende em grande quantidade a celulose e a soja, que abocanha aí 50% do que a gente vende para o mercado como europeu. Então, esses produtos hoje eles estão em maior volume, vão ser mais beneficiados no mercado comum europeu”.
Aldo Barrigosse, economista
Em Dourados, Adriana Peruzzi é produtora rural e cultiva 550 hectares de soja, que vão para cooperativas e cerealista da região.
- Para a produtora, o acordo entre o Mercosul e a UE pode abrir caminho para novas oportunidades de exportação.
“Eu acredito que a curto prazo nós não vamos alterar muito, mas pode ser que a médio e longo prazo seja uma oportunidade de ampliar um pouco mais a quantidade de grãos que é exportado para a União Europeia, uma vez que eles fazem parte de menos de 7% dos grãos que são exportados do Brasil”.
Adriana Peruzzi, produtora rural
Já em Campo Grande, Alessandro Coelho tem uma criação de gado de leite e de corte, com 120 vacas girolando, que produzem cerca de 2600 litros de leite por dia, direcionados a uma cooperativa da capital.
- Na pecuária de corte, a fazenda abate cerca de mil cabeças de gado, e 100% da produção atende o mercado interno brasileiro.
Para o produtor, com o acordo entre a UE, produtores terão gastos elevados para atender às exigências de sustentabilidade dos países europeus.
“Essa questão ambiental que vem sendo colocada junto com esse acordo e assim como a burocracia, questão de rastreabilidade e outras que virão de forma obrigatória, não somente para aqueles que serão os beneficiários do programa, mas para toda a cadeia, é a rastreabilidade. Isso aí vai gerar um impacto gigantesco em pecuárias extensivas, como nós temos aqui é o caso do Pantanal, que é uma pecuária muito difícil, muito complexa. Isso aí tira a gente do mercado”.
Alessandro Coelho, produtor rural
- O mercado da soja também deve sentir os efeitos do acordo.
Em 2024, o Brasil exportou 17 milhões de toneladas do grão para a união europeia, sendo atualmente, o segundo principal destino da soja brasileira, atrás apenas da China.
Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o acordo deve começar a valer no segundo semestre de 2026, e por isso, os impactos na economia e no campo não devem ser imediatos e devem aparecer a médio e longo prazo.
Diogo Nolasco e Augusto Castro/Redação PP



