O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil chegou a 0,805, conforme divulgado nesta terça-feira (26) pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). É a primeira vez que o país alcança a classificação “muito alto”.
Em Mato Grosso do Sul, o IDH é 0,797 — 11º entre todas as unidades da federação, mas o último entre os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
- Quanto mais próximo de 1, melhor é o IDH do território. Por estar abaixo de 0,8, o IDH de Mato Grosso do Sul é classificado como “alto”, junto aos estados do Norte e Nordeste do Brasil.
Nos levantamentos anteriores, o índice era ainda menor no Estado: 0,774 em 2019 e 0,748 durante a pandemia de covid-19, em 2021.
Em suma, sul-mato-grossenses têm um dos piores índices de longevidade do país, mas apresentam resultados melhores em educação e renda.
No entanto, a desigualdade entre negros e brancos ainda afeta todas as áreas do desenvolvimento humano no Estado. Já a disparidade de gênero é maior no âmbito financeiro.

Na ‘lanterna’ da longevidade
Mato Grosso do Sul é destaque negativo no índice de longevidade. O Estado ocupa a 24ª colocação, à frente de Amapá, Alagoas e Roraima. Ou seja, tem o 4º pior resultado.
↪Segundo o relatório do Pnud, a pandemia de covid-19 pode explicar a baixa na longevidade de Mato Grosso do Sul.
O índice do IDH específico sobre expectativa de vida era de 0,851 em 2019, despencou para 0,772 em 2021 e ainda não se recuperou completamente no último levantamento, chegando a 0,840.
O IDH Educação de Mato Grosso do Sul é de 0,788, considerado “alto”. O Estado tem a 13ª educação mais desenvolvida do país, atrás de todos os estados do Sul (exceto Rio Grande do Sul), Sudeste (exceto Espírito Santo) e o restante do Centro-Oeste. Das outras regiões, apenas Roraima tem classificação “muito alta”.
↪A maior desigualdade é concentrada no IDH Renda. Enquanto Brasília tem classificação “muito alta”, Mato Grosso do Sul e outros 16 estados estão em renda “alta” e outras nove unidades da federação, “média”.
O IDH Renda de Mato Grosso do Sul é de 0,766, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Assim, o Estado ocupa a 8ª posição no ranking.
O Pnud também mostra o abismo de desigualdade racial em Mato Grosso do Sul. No Estado, o IDH que agrega renda, educação e longevidade das pessoas brancas é de 0,830; das pessoas negras, 0,775.
Entre as unidades da federação com os menores valores de IDH Longevidade, Mato Grosso do Sul registrou o menor resultado para a população branca (0,859).
↪Em relação à esperança de vida, o valor para a população branca em Mato Grosso do Sul foi de 76,55 anos. O IDH Longevidade de negros do Estado é de 0,833.
Com relação à educação, o IDH é de 0,832 para brancos e 0,758 para negros. Por fim, o IDH Renda das pessoas brancas de Mato Grosso do Sul é de 0,801 e 0,736 para pessoas negras.
Homens mais ricos que mulheres
Por outro lado, os dados agregados que consideram as relações de gênero no Estado mostram que o IDH é de 0,796 entre as mulheres e 0,788 para os homens.
👵Elas lideram em educação e longevidade, mas a desigualdade financeira ainda chama a atenção: para homens de Mato Grosso do Sul, o IDH Renda é de 0,829 e, para as mulheres, 0,687.
👴O IDH Educação dos homens de Mato Grosso do Sul caiu de 0,750 para 0,749 entre 2023 e 2024. Já o de renda caiu de 0,854 para 0,829 no mesmo período. Por outro lado, a renda das mulheres subiu de 0,651 para 0,687.
Os homens ainda ganham 24% a mais que as mulheres em Mato Grosso do Sul. Eles têm uma média salarial de R$ 4.205,00, enquanto as mulheres recebem R$ 3.177,00.
Murilo Medeiros/Midiamax News



