Na estreia como ministro da Agricultura na Agrishow, em Ribeirão Preto, André de Paula afirmou que trabalha para viabilizar juros de um dígito no Plano Safra 2026/27, mesmo em um cenário ainda pressionado por política monetária restritiva, guerra e dificuldades no crédito rural.
A fala reforça o esforço do governo para reduzir o custo do financiamento ao produtor em meio a um ambiente de incerteza no setor.
- Ao comentar a próxima edição do Plano Safra, o ministro disse que mantém uma visão otimista e que pretende buscar taxas mais baixas para o agro.
Segundo ele, o governo esperava uma queda nos juros, mas o conflito no Irã alterou esse cenário e impôs mais cautela na formulação da política de crédito para o setor.
A declaração foi dada durante a Agrishow 2026, considerada uma das maiores feiras do agronegócio do mundo e a principal vitrine de tecnologia agrícola da América Latina.
- André de Paula participa pela primeira vez do evento como titular da pasta, em um momento em que o governo tenta fechar o desenho do próximo ciclo de financiamento rural.
Diante do ambiente de juros elevados, o ministro voltou a defender o avanço de parcerias com o setor privado como forma de reduzir a pressão sobre o crédito rural.
A estratégia vai na mesma direção de discussões já em curso sobre o novo Plano Safra, que apontam para maior participação do mercado financeiro e das cooperativas, com menor dependência direta de recursos do Tesouro.

- O pano de fundo dessa discussão é um cenário de incerteza para o Plano Safra 2026/27.
Reportagens recentes da CNN Brasil já indicavam preocupação no governo com juros, fretes agrícolas e inadimplência no campo, fatores que dificultam a definição das taxas e do volume total de recursos para o próximo programa.
Em tom descontraído, André de Paula afirmou que todo ministro da Agricultura tende a ser otimista e a defender o setor, mas deixou claro que pretende transformar esse discurso em uma meta concreta para o crédito rural.
- A intenção de buscar juros de um dígito aparece, assim, como um recado direto ao mercado e ao próprio setor agropecuário, que acompanha com atenção a elaboração do Plano Safra em meio à Selic elevada e ao encarecimento do dinheiro.
A fala do ministro também mostra que o governo tenta construir uma saída para manter o financiamento ao agro em condições mais atrativas, mesmo sem o alívio nos juros que era esperado anteriormente.
Com isso, a ampliação do crédito privado ganha força como alternativa para sustentar o Plano Safra e mitigar os problemas de acesso a recursos no campo.
Douglas Vieira/A Crítica



